quarta-feira, 6 de abril de 2011

CAPAZES DO MELHOR... E DO PIOR

 

Galitos/AAUAv:
Manuela Oliveira (5), Cláudia Conceição, Catarina Martins (18), Teresa Oliveira, Inês Afonso (2), Joana Capela, Vânia Costa (4), Maria Cristo (13), Andreia Migueis (8), Diana Marques, Sara Morais (15) e Rita Pires (4).

Marcha do Marcador:
26-22, 47-36 ( 21-14), 57-54 (10-18), 76-69 (19-15).
 
O que diz o treinador:
"Depois dos bons resultados obtidos contra as equipas colocadas nos três primeiros lugares da classificação partimos para este jogo na expectativa de conseguirmos um resultado positivo e uma boa exibição. Acabámos por não conseguir nem uma coisa nem outra.
O 1º período desenrolou-se com equilíbrio e com os ataques a superarem as defesas contribuindo para o elevado resultado no parcial. A nossa fraca prestação defensiva resultou em 26 (!) pontos sofridos nos primeiros 10 minutos. A equipa local rapidamente se apercebeu da permeabilidade da nossa defesa e chegou ao intervalo com uma vantagem que se justificava.
No intervalo procurámos corrigir os aspectos defensivos, repor alguma serenidade no ataque e apelar à experiência da equipa. No regresso ao jogo, uma boa atitude defensiva permitiu anular alguns pontos fortes da equipa do CAD que só marcou 10 pontos neste período. O nosso ataque também melhorou, assentando em transições fortes e numa boa selecção de lançamento, levando-nos para o derradeiro período apenas com 3 pontos de desvantagem.
No último período conseguimos uma vantagem de 5 pontos que rapidamente se esfumou quando deixámos de defender e optámos por acções individuais em detrimento do colectivo, acumulando sucessivos erros no ataque. Os 2 primeiros períodos não serviram de lição e voltámos a consentir que a equipa adversária tivesse liberdade nas suas acções ofensivas e concretizasse muitos pontos fáceis.
Como o título desta crónica indica, somos capazes do melhor e do pior. Neste jogo fomos capazes do pior durante muitos (mesmo muitos) minutos. Para além dos maus índices estatísticos (média de 19 pontos sofridos por período, 26 turnovers, 50% e 44% de concretização de lances livres e lançamentos de 2 pontos, respectivamente), é preocupante verificar que a qualidade individual defensiva está muito abaixo das nossas capacidades. Para além disso, é confrangedor assistir a tão más opções no ataque, sobretudo porque a equipa tem grande capacidade técnica e porque trabalhamos os aspectos tácticos em todos os treinos desde o início da época, explorando todas as soluções do nosso modelo de jogo.
Para os adeptos da equipa local foi um bom jogo porque viram a sua equipa lutar, dominar e vencer. Para nós, o jogo valeu sobretudo pelos momentos em que conseguimos disfarçar as lacunas defensivas (3º período) e explorar melhor o ataque o que nos permitiu recuperar e passar para a frente do marcador.
Este foi um jogo entre uma equipa experiente (supostamente a nossa), mas desconcentrada, apática e que jogou a passo contra uma equipa jovem, mas determinada, agressiva e que jogou a correr. No basquetebol moderno é difícil ter sucesso quando se joga sem dinâmica, sem concentração, sem agressividade, sem velocidade, sem intensidade. Modelos de jogo demasiado rígidos ou muito especializados são previsíveis e facilmente desmontados pelas defesas inteligentes. Modelos de jogo semi-rígidos ou livres quando executados sem intensidade e agressividade ofensiva são ineficazes e perfeitamente inócuos. É este o nosso caso. Por outras palavras, não importa o modelo de jogo adoptado, mas sim a forma como os jogadores o executam. E nós executámos mal, na defesa e no ataque.
Nas crónicas anteriores foi dado algum ênfase à importância do colectivo, ao rigor no trabalho para conseguirmos melhorar todos os dias e à necessidade de reconhecermos o nosso papel para melhor podermos contribuir para o sucesso da equipa. O valor de uma equipa não se mede apenas pelos resultados desportivos, mas são os resultados que ajudam a consolidar esse valor.
É importante saber interpretar o que vai sendo escrito nas crónicas. Já não espero que se perceba o que está escrito nas entrelinhas, mas, pelo menos, aquilo que se escreve nas linhas."
Por Hugo Fernandes



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